quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A minha rua

A minha rua tem muitos guardas. Durante a noite e só aqui à porta de casa há pelo menos quatro, um da casa onde vivo, outro da casa à direita, um da casa em frente e outro da mini-micro-mercearia em frente. Ainda assim, numa rua tão bem guardada, esta noite roubaram o vidro traseiro do meu jipinho, não tiraram mais nada do carro, nem cds, nem os 400Kz nem uma balança que estava na mala, só o vidro. Quatro guardas a guardar e os manfios tiveram tempo parar tirar o vidro, como raio é que se tira um vidro de um carro pelo lado de fora sem estragar nada?

Que um guarda  que trabalha de noite adormeça uma pessoa até compreende, que dois guardas adormeçam já parece estranho... mas não, na minha rua os quatro adormeceram (ou isso ou os outros como só estão a guardar a casa do lado, a da frente e a mini-mercearia veem roubar e não se importam porque não é nada do que estão a guardar). 
Cá no meu entender só pode ter acontecido o seguinte:
Como é muito inverosímil que quatro guardas que são pagos para guardar coisas durante a noite adormeçam todos na mesma noite só pode ter sido obra dos extra-terrestres. Como os ETs se sentem muito vigiados sempre que vão roubar coisas nos Estados Unidos com certeza resolveram vir para outras paragens. Infelizmente para mim escolheram Angola, apanharam esta rua escura com quatro guardas e zás... com uma qualquer luz muito brilhante induziram o sono em todos eles e desataram a procurar um vidro que servisse no ovni. Sim, onde raio pensam vocês que vão, os extra-terrestres, buscar peças para os ovnis quando algo se estraga porque chocaram com um pombo ou com um morcego?
Infelizmente para mim sou o único feliz proprietário de um Suzuki Jimny nesta rua, o resto do pessoal tem tudo daqueles jipes gigantescos ou carrinhas do género da strakar. Ora, o único vidro maneirinho estava logo ali, enfiado na traseira do meu Jimny, não tem mais nada, com uma luz muito brilhante vai de puxar o vidro para cima e já está. Os guardas não se lembram de nada e só desapareceu um vidro durante a noite.


Bernardo Marques.