sábado, 5 de março de 2011

Incongruências do mundo real


Imaginem que um de vocês que vivem na metade de cima do mundo, vai um dia ao cinema ver um qualquer filme... nesse filme aparecem cenas estranhas como um senhor muito janota e finório, com ar de ser bastante endinheirado a ser deixado pelo seu motorista na porta do edifício onde vive, o mais podre e velho que vocês alguma vez viram, com as paredes exteriores e interiores todas graffitadas com gatafunhos ilegíveis, num bairro cheio de buracos com esgotos sem tampa que jorram água negra e perfumada para a estrada, a entrada do edifício em terra, cheia de poças de água criadas pelo constante gotejar de dezenas de tubos pendurados de ares condicionados. Os vizinhos desse senhor vivem no mesmo edifício e alguns não têm motorista mas no estacionamento os veículos fazem inveja às melhores garagens onde cada veículo quer ser maior que todos os outros, Porsche Cayenne, Land Cruiser Prado, Ford F150, Toyota Tundra, Chevrolet Avalanche entre outros gigantes.
Umas cenas depois aparece um jovem, que vive numa barraca no meio do lixo onde não tem água canalizada e luz só de vez em quando mas aparece a jogar na sua Playstation 3. Uma senhora, mãe solteira, que trabalha para ganhar uns 400 dólares americanos compra uma bicicleta, uma PSP e uma Playstation3 como presentes de Natal para o seu filho de sete anos de idade e compra um computador portatil para sí, tudo no mesmo Natal.
Penso que qualquer um de vós, ainda a meio do filme vai dizer 'duh... acho que desta vez o Woody Allen se passou demais, onde raio foi ele buscar estas ideias?'.

Pois bem... basta vir até esta metade do mundo e olhar um pouco pela janela para ver este filme.

Até à próxima,
Bernardo